quinta-feira, 17 de março de 2011

PROFESSOR ALEMÃO AGRIDE ESTUDANTE NEGRO DE TEATRO NA UFBAcarta aberta dos estudantes de teatro UFBA à comunidade

Salvador 17 de março de 2011

No início da noite do dia 16 de março de 2011, durante a calourada, preparada pelos alunos veteranos com o apoio do Diretório Acadêmico da Escola de Teatro – UFBA, enquanto os alunos confraternizavam após o fim da Oficina Corpo e Sentidos, ministrada pelo graduando Carlos Eduardo (módulo II-Licenciatura), o Coordenador Geral do DA, o graduando Eduardo Nunes (Módulo VII-Licenciatura), foi ofendido e agredido fisicamente pelo então professor (aposentado) Edward Hackler.

Estávamos, calouros e veteranos, realizando essa confraternização construída em acordo com a direção desta unidade quando fomos surpreendidos pelo professor Hackler, que após exigir de forma autoritária que o som fosse desligado, para que ocorresse seu ensaio. O Coordenador Geral do Diretório Acadêmico buscou mediar a situação e antes que o referido estudante atendesse a sua solicitação, o professor o agrediu utilizando o cabo do Notbook como arma e jogando o aparelho do mesmo chão. A agressão só não foi maior por que entre a “autoridade teatral” e o estudante havia uma cadeira, além do protesto imediato de todos os presentes, estudantes, prestadores de serviço (xerox) e professores.

O estudante, vale ressaltar, em momento algum se negou a desligar o som, muito pelo contrário, como membro do Diretório Acadêmico ele tem o compromisso público de manter a rotina de trabalho da escola, buscando uma convivência permeada pelo diálogo entre corpo docente e discente. Se haveria um ensaio programado, se havia pauta de sala, não seria o DATEA que atrapalharia. Deixamos nítido que ainda faltava uma hora pra o inicio do tal ensaio. Entendemos que ao dividir espaço com outros um esforço de convivência e cultura de paz deve ser fomentado.

A atitude autoritária e intolerante por parte do senhor Hackler vai de encontro as palavras ditas pelo diretor desta unidade, ao falar, durante a aula inaugural do dia 14/03/11, sobre o relacionamento entre professores e alunos, citando o profeta “Gentileza”: “gentileza gera gentileza”.

Até quando esses ditos professores continuarão tratando o público como privado?

O silêncio não será nossa melhor resposta. Não vamos fingir que nada aconteceu. Se isso ocorresse com um professor brasileiro aposentado radicado na Alemanha, a conversa seria bem diferente. Exigimos uma postura justa por parte da Direção da Escola bem como dos professores.

De modo geral, os estudantes da Escola de Teatro, representados pelo DATEA se sentem agredidos por tamanha falta de respeito e intolerância e só a sombra da impunidade, fruto do corporativismo, nos revolta. Esta situação não passará em branco e esta unidade tem o dever moral de prestar satisfações aos estudantes e se no fim de tudo nada absolutamente for feito, não haverá condição alguma deste diretório acadêmico, bem como o corpo discente, manter relações cordiais com esta instituição. É certo que na maioria das vezes as relações entre discentes e docentes nesta unidades são pacificas mas silenciar diante do que ocorreu soara como conivência.

Não pedimos defesa, muito menos que gratuitamente tomem nosso partido, contudo ajam com justiça garantindo eqüidade de direitos.



Diretório Acadêmico da Escola de Teatro

Gestão “Unindo Forças”

Estudantes da Escola de Teatro

2 comentários:

  1. Olha não vejo racismo nem outra forma de perseguição ao estudante agredido, noto conotação de racismo pelo fato do professor ser alemão. Existe aí sim intolerância de ambas as partes. Todos sabemos que grande parte “desses artistas” de escolas de teatro confundem muito as coisas, arte não é protesto, é competência e talento. assim como também grande parte de professores se acharem donos da verdade. Penso que está acontecendo estardalhaço desnecessário. Vão estudar, vão fazer arte de forma consciente e menos bagunçada. O tempo que perdem com isso , estudantes, perdem em competência depois de formados. Amor, ponderacão e toleräncia a todos. e vâo ser felizes

    Mirela Chineider
    Antropologoa

    ResponderExcluir
  2. Tenho tentado por diversas vezes corrigir um problema de comunicação e de distorção dos fatos.
    Não posso afirmar que o professor hackler foi Racista em sua agressão aos estudantes. Tem rolado grande celeuma em torno da questão, e se eu referendo a questão ou não.

    Não eu não referendo. Mas deixem-me explicar uma coisa muito simples. até o ocorrido, eu não conhecia nada sobre o referido professor que não a sua fama de bom profissional de teatro. fama que confirmo como verdadeiro. Sua história de vida, bem como sua ideologia ou qualquer tipo de opinião que não se referisse ao tema TEATRO não me eram conhecido. Quando recebemos uma agressão gratuita é natural que busquemos e conversemos sobre as possiveis motivações do agressor. Logo quando dizia que não discartava a possibilidade afirmação dizia respeito ao choque diante do ocorrido e que aind estava tentando entender os fatos. Gostaria de por gentileza pedir a reflexão de todos (apoiadores do professor Hackler e ou dos Estudantes) para o que estratégicamente tem sido colocado de lado. A agressão gratuita sofrida por estudantes por parte de um professor. Tenho lido e ouvido falar, sobre protestos perfomaticos na escola de teatro, tratando o fato como nazismo ou mesmo da possibilidade do professor ser agredido. Isso, absolutamente, não é verdade. Não houve manifestação alguma, o caso foi formalmente entregue a direção da escola de teatro por ambas as partes, ambas as partes demostraram seu posicionamento à comunidade da escola de teatro e agora estamos esperando o posicionamento após a reunião de congregação convocada para debater o tema. Estamos trabalhando a questão da forma mais civilizada possivel, apesar de alguns particulares equivocos ocorridos no calor das emoções. Digo isso por que algumas pessoas justificam o fato como "temperamento esquentado" por parte do professor mas que ele tem um bom coração e este não é racista. Eu realemente acredito que o professor Hackler seja, em geral, boa pessoal, homem serio e respeitavel. Gostaria de de afirmar que também o sou e esta não é uma opinião eXclusiva.
    Mas o que está em questão não é bondade de nossos corações. Mas um fato que precisa ser solucionados. Pensem, e se fosse com vcs como vcs agiriam.
    pensei muito antes de escrever essas palavras e decidi assim proceder para que as pessoas pudessem ao menos ler o que digo a respeito. respondendo inclusive algumas distorçoes sobre aquilo que eu escrevi e que tem sido aqui salientadas.
    Lamentamos muito toda a situação, incluindo a repercussão negativa e equivocada sobre a possivel motivação do incidente. Temos trabalhado no intento de corrigir equivocos e pontuar colegas que se posicionam de forma exagerada. Sim esses exageros tem ocorrido, contudo não desviemos nossa conversa dos fatos.
    Não tenho prazer nesta circunstancia, inclusive queria ter respondido essas duvidas que tem aparecido na internet, sobre meu carater, com um pouco mais de agilidade mas tenho certa dificuldade de parar na internet...
    O mesmo cuidado que pedem com a imagem e com as palavras sobre o professor gostaria que tivessem com os outros envolvidos. Gostaria de dizer mais uma vez que o infeliz fato teve testemunhas. Peço cuidado por que não tardará e o debate se trasformar em "Estudante bate em professor"

    Eduardo Nunes

    ResponderExcluir