terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Quanto custa uma opinião?

por Edu Nunes*

Quanto custa uma opinião?
Perguntou certo cliente ao gentil funcionário de uma livraria, apontando um livro qualquer.
Ao ouvir, contrariado, por parte do gentil funcionário que uma opinião não tinha preço, mas que ele daria a informação de bom grado, o ofendido cliente, em seu direito de consumidor, fez queixa ao dono da livraria.
O dono da livraria, no seu direito de patrão, pediu satisfações ao gentil funcionário.
O gentil funcionário respondeu depois da insistência do patrão frente aos seus eloquentes argumentos: “e os meus princípios?”
O dono da livraria, ultrajado e dentro do seu direito de patrão responde com um tapa nas costas do gentil e parvo empregado: “pois principie logo!”

Chegará o dia em que um de nossos amigos venda a sua opinião.
Chegará o dia em que a lógica “o inimigo do meu inimigo é meu amigo” será invertida e meu amigo inimigo também seja.
Chegará o dia, depois da venda da opinião, em que eu me arrependerei da fé, fé que tive por acreditar que existe um inimigo maior.
Um inimigo travestido de empresariado, de prefeito, e na minha opinião, de governador inclusive, que ainda não deu a graça de sua opinião sobre nosso livro. Que oferta ele estaria esperando?
Mas prefiro não pensar na oferta, como disse o inimigo é travestido de todos, mas bem pode ser chamado de Capital que distorce as relações humanas e os valores, também humanos.
Prefiro não pensar na oferta por que o que me preocupa, meus amigos, é a procura. O que procuramos e o que eles, os instrumentos do Capital, procuram em nós, seja para colheita, seja para plantio. Ou será investimento?

Chegará o dia, uma hora de lobos, não tenho dúvidas, em que os lados serão escolhidos, e não seremos mais tantos a reclamar “princípios”
Mas esse dia, felizmente, não é hoje. Hoje o inimigo está fora. Ele bate a porta e faz a oferta. Com sorte não haverá procura. Haverá luta. Mas entre nós, insisto em ter fé, paz.

*Edu Nunes é Estudante de Licenciatura em Teatro na UFBA, Coordenador Geral do DATEA e Coordenador Regional da FENEARTE na Região Nordeste.

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