sexta-feira, 8 de maio de 2009

Falta luta porque falta fé

Um esboço sobre o movimento estudantil na Universidade Federal da Bahia



Uma indagação paira nas mentes daqueles que ainda resistem em lutar nos mais diversos setores da Universidade Federal da Bahia: o que falta acontecer para voltarmos a ter movimentações que apontem uma saída para o caos em que vivemos dentro da universidade? Passamos por um momento complicado em que nossos direitos estão sendo claramente desrespeitados, e ao mesmo tempo, presenciamos uma paralisia que se explica, ou pode-se explicar, pela falta de fé nas instituições representativas e nas mudanças que viriam a partir das ações que essas organizações fariam caso houvesse um ambiente de luta. E há de se pensar que essa descrença não surge de algum dado especulativo, mas sim das ações, e muitas a falta dela, dessas mesmas organizações que são coordenadas por grupos, que agem como um veneno que dado em doses homeopáticas, tem por único objetivo matar todo e qualquer resquício de rebeldia que ainda existe na UFBA.
A meu ver, as piores ações desse governo, não se deram somente nas reformas e nos esquemas de corrupção, mas também na propagação de um sentimento que a todo tempo cria a idéia que as coisas já estão dadas, que nada mais se pode mudar, e não contente só com a propagação ele age por diversos meios para que essa teoria se estabeleça.
O nosso DCE infelizmente compõe esses setores, a notável falta de vontade em fazer atividades políticas, os CEB's esvaziados, a falta de uma maior veiculação de informações que atentem a comunidade discente qual a nossa real situação, todos esses fatores me levam a duas interpretações: o quanto é falha e equivocada a ação do DCE, pois não compreende a realidade da educação em nosso país e as especificidades da UFBA, ou o quanto é acertada a ação, pois garante um rebaixamento do debate, logo que ele garante que isso não aconteça, e o afastamento dos novos atores e atrizes que poderiam surgir a partir de mobilizações que poderiam ocorrer, nesse caso o DCE, ou o grupo que o dirige, não só garante a falta de espaços para uma avaliação mais crítica sobre as ações do governo nas universidades, ou no ensino superior em geral, mas também garante sua permanência, logo que para a maioria dos estudantes, a falta de debates e ações os afastam cada vez mais do contato com a política, e portanto do movimento estudantil.
O que nós, de esquerda, que não se vendeu aos interesses governistas, como fizeram os nossos colegas que fazem parte do grupo que dirige o DCE, vemos é uma falta de ação causando uma falta de fé, para lutar é preciso crer em algo e isso para nós já é dado, cremos no nosso partidos, nas nossas idéias, em mundo melhor, mas para a maioria essa crença está distante, a credibilidade das instituições se garantem pelas suas ações, e com a falta dessa, acreditar torna-se complicado.
O que nós, e aqui não me refiro só as/aos de esquerda, mas também as/aos que ousam lutar por uma universidade pública e de qualidade, precisamos fazer, é nos unir em prol de um ideal comum, resgatar a nossa fé nas pessoas e criar uma verdadeira alternativa democrática e de luta a essa gestão, e aos grupos governistas que hegemonizam a cena política em nossa universidade, precisamos criar uma nova cultura política que garanta uma real e maciça participação estudantil, que faça-o sentir parte de um corpo, de uma comunidade, e o torne responsável direto por uma nova cultura que está sendo proposta e o faça ter fé na luta.
Não podemos cair na falsa premissa que podemos criar fé de fé, ela só virá com a ação real e imediata dos setores lutadores do movimento estudantil e mediante a recuperação do ativismo e da combatividade das organizações representativas, é inaceitável a situação do M.E. da UFBA, e mais ainda é a postura do grupo que dirige o DCE diante desse quadro.
Nós não podemos nos conter nos nossos preconceitos e divergências, precisamos nos unir, ter fé, lutar...
Só assim venceremos


Saudações


Danilo Pereira
Membro do Diretório Acadêmico de Letras da UFBA
Militante do Campo Contraponto

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