sexta-feira, 8 de maio de 2009

@s estudantes em Contraponto à UEB

Retomamos aqui nossa deliberação tirada em 2007 sobre organização do Movimento estudantil estadual que ainda está bastante atual!

1. Histórico

A Educação no nosso país passa por um momento difícil. Sofremos durante as últimas décadas duros ataques de diversos governos de matiz neoliberal, desde o fim da década de 80 até os dias atuais. O bum dos Escolões de terceiro grau, a total desregulamentação do ensino superior privado, os vetos ao PNE, a ausência de uma séria política de assistência estudantil, a Lei de Mensalidades, o PROUNI, o desinteresse na aprovação de uma Lei de Cotas que inclua o povo negro e indígena na Universidade e garanta a real construção de uma Universidade democrática e popular, o PL 7.200/06( reforma universitária), o REUNI (Universidade Nova), entre outras medidas são alguns dos exemplos que podemos dar.
O Movimento Estudantil historicamente esteve na defesa de uma Reforma Universitária que avance no sentido de garantir a todas e todos uma educação pública, gratuita, de qualidade, laica e socialmente referenciada. Nos governos anteriores, conseguimos de certa forma nos unificar contra os ataques da elite à universidade e à juventude, mas, no governo Lula, os diversos grupos no interior do movimento tomaram posições diversas desde o adesismo e a defensividade, até o sectarismo, fragmentando – se de forma a não conseguir construir uma resistência organizada aos primeiros ataques.
Mas, no bojo da crise da esquerda e dos movimentos sociais, na necessidade de reorganização dos mesmos e da construção de lutas unitárias que garantam vitórias para o povo e para o movimento estudantil, surgem diversas articulações de movimentos sociais, entre elas a “frente de luta contra essa reforma universitária” que tem antecedentes no “movimento barrar a reforma” onde se reunia a oposição à direção majoritária da UNE, o ANDES e o SINASEFE, além de D.A.’s, C.A.’s e executivas de curso, tendo realizado uma marcha que reuniu 15 mil pessoas em Brasília no dia 25 de novembro de 2004.
Essa passou a ser uma das pautas prioritárias do movimento estudantil seja a favor, seja contra ou em cima do muro, essa discussão determinou e muito as relações entre as diversas forças políticas e estudantes.

2. A UEB em direção contrária a luta d@s estudantes


Em meio a isso tudo em 2005 ocorre a “refundação” da UEB, assim como esse segundo congresso o processo de refundação foi muito ruim, construído de cima pra baixo, sem um debate na base do movimento estudantil, desorganizado, sem mobilização e debates preparatórios aonde as/os estudantes pudessem perceber a importância de um instrumento de organização do M.E. no estado.
Com essa percepção decidimos participar do I Congresso, entrando na sua direção de forma condicionada, com o acordo de realizar um COEEB(conselho estadual de entidades de base) de fôlego que desse conta das demandas não atendidas pelo congresso e pelo seu processo de construção. O que não aconteceu, pelo contrário a burocratização e o aparelhamento foram se aprofundando e o seu auge se deu no processo de implantação do Salvador Card. O prometido COEEB aconteceu no início desse ano, mas não poderia ser pior, sem um mínimo de divulgação, o conselho esvaziado se deu às escuras convocando um novo congresso para esse ano, construído da mesma forma, com os mesmos vícios e com tudo o que os governistas têm direito.
Essa entidade nos últimos anos não representou @s estudantes Universitári@s da Bahia, não tocou as lutas que eram realmente prioritárias, não reconstruiu a entidade, sempre esteve a reboque dos posicionamentos da direção majoritária da UNE, esteve apoiando e beneficiou-se com o acordo do Salvador Card que inclusive financia seus diretores e a sede da “entidade”, além das denúncias de corrupção no trato com as finanças da entidade.
Nesse meio tempo, apesar das dificuldades de articulação, várias lutas foram tocadas no estado sem que a UEB sequer lançasse uma nota de apoio e algumas vezes até sendo contra a luta d@s estudantes como no caso da luta contra o SALVADOR CARD.
O Fórum de DCE’s das Estaduais reuniu - se para exigir do Governo Wagner mais verbas para a educação; @s estudantes da UFRB exigiram que o governo Lula cumprisse as promessas e realmente dê estrutura @s estudantes de Cachoeira; na UCSAL @s estudantes ocuparam dois campi para exigir a matrícula d@s estudantes negr@s e pobres; na UFBA organiza-se uma resistência ao Universidade “Nova”/REUNI entre outras lutas. E onde estava a UEB nesse período?

3. Um convite à rebeldia

Todos os dias, deparamo-nos com profundas desigualdades e injustiças, produto da exploração do povo pela classe dominante. Como se não bastasse, crescem as tentativas, por parte de Governos em conluio com as elites, de retirada e restrição dos direitos conquistados pelos trabalhadores e trabalhadoras e pela juventude, tudo em nome da busca incessante pelo lucro.
E, do mesmo modo que a juventude, os trabalhadores e as camadas populares só conquistaram direitos quando se organizaram e lutaram, o que a experiência tem nos mostrado é que somente através da nossa organização e da luta é que conseguimos resistir às tentativas de restrição e retirada de direitos e combater as desigualdades e as injustiças que nos cercam.
Por isso nesse momento se faz necessário, articular uma frente de lutas no estado que realmente organize o movimento estudantil para enfrentar os desafios que se colocam na atual conjuntura tanto nacional como estadual, uma frente para resgatar a combatividade do movimento na Bahia e construir uma ferramenta de luta d@s estudantes Baian@s.
Convocamos a todas e todos que não estão conformad@s com a atual situação no M.E. da Bahia e querem construir as lutas no estado para garantir a nossa vitória independente de governos, partidos e reitorias sem perder de vista a necessidade da construção de uma nova cultura política no movimento estudantil que além de autônomo, precisa ser democrático, inclusivo, combativo, buscar se aproximar efetivamente dos movimentos sociais, superando a burocratização, o corporativismo e a partidarização.
Só a luta muda a vida!!!


CAMPO CONTRAPONTO – Setembro de 2007


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